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A
Cruz da Praia de Fora - Dizem que dois homens após
terem encontrado uma cruz na praia de Quatro Ilhas ficaram
tão impressionados que resolveram fincá-la
no mesmo local onde a acharam. Segundo os moradores e pescadores
daquela região, após esse acontecimento, realizaram
um lance (pesca) de tainhas jamais visto tal a abundância.
Desde então, todos os anos, no dia 3 de maio, alguns
pescadores adornam a cruz com flores e fazem pequenas preces,
para que haja sempre a mesma fartura na pesca da tainha.
Com o passar do tempo, a cruz de madeira foi se deteriorando,
sendo substituída por uma cruz de concreto. |
A
Bela Moça - Dona Erondina (popularmente chamada
de Dona Aronda) conta que quando moça, ela e uma
amiga de nome Brígida, foram buscar água na
cachoeira, e ao chegarem, depararam-se com um "encante"
(visagem), como costumavam falar. A tal visão, era
uma linda moça que trazia em suas mãos uma
flor de espantosa beleza. Dona Aronda, curiosa, ao tentar
pegar a flor, foi repreendida por sua amiga que lembrou
tratar-se de um encante, e que de acordo com os antigos,
a bela moça tomaria o lugar de quem pegasse ou tocasse
na flor. Assustadas, as duas deixaram o local (e o encante)
para trás |
A
Misteriosa Luz da Capela - Os antigos relatam que, ao
terminarem as rezas das novenas na igrejinha do morro do
cemitério, os fiéis desciam e ao retornarem
o olhar, viam uma luz misteriosa na janelinha da capela.
Jamais descobriu-se a origem daquela luz, porém muitos
imaginavam tratar-se de um tesouro enterrado naquele local. |
Sonho da Fortuna - Dona Alexandrina era uma velhinha
que vestia-se com roupas surradas e caminhava sempre arcada,
devido a idade avançada. Todos acreditavam que ela
fosse uma mulher pobre, mas após o seu falecimento,
começaram a ver uma luz estranha saindo de sua casa.
Certo dia, um senhor chamado Benjamim Caetano, teve um sonho
com Dona Alexandrina, quando ela lhe disse haver deixado
na casa muito dinheiro, dentro de um pote, sob o assoalho.
Todos ficaram surpresos ao tomarem conhecimento de que Benjamim
havia deixado a cidade, levando todo aquele dinheiro. |
Bruxas
- Muitas pessoas afirmam já tê-las visto, e
que ao serem avistadas, transformavam-se em passarinhos,
borboletas, etc. Antigamente, quando um recém-nascido
começava a emagrecer e definhar até a morte,
principalmente os que ainda não haviam sido batizados,
acreditava-se em "doença da bruxa". Os
pais, ao colocarem o caixão da criança atravessado
na porta da casa, a primeira mulher que aparecesse seria
a bruxa, vindo mais uma vez buscar a vida de uma criança,
para assim manter-se eternamente jovem. Em função
da crendice era costume proteger as crianças dando-lhes
remédios à base de alho e colocando tesouras
abertas embaixo dos seus travesseiros. |
Pedra Descansa Defunto - Como o único cemitério
da época situava-se junto à Igreja Matriz
de Porto Belo, os defuntos da região onde hoje é
Bombinhas, eram carregados através do morro, que
atualmente marca a divisa entre os dois municípios.
Os carregadores para descansar, apoiavam o caixão
sobre uma pedra antes de prosseguir a caminhada. Por isso,
segundo os mais velhos, os moradores evitavam a passagem
junto àquela pedra a meia noite, por acreditarem
ser o local mal assombrado. Relatam que ouviam o canto de
uma coruja, o choro de uma criancinha, barulho de latas
e avistarem um feixe luminoso. |
Toca
do Cabo - Existem dois abrigos naturais com este nome,
um localizado à direita do morro de Quatro Ilhas
(ou Praia de Fora) e outro, na Praia da Sepultura. Segundo
relatos, durante vários anos um cabo do exército
imperial, que teria lutado na Guerra do Paraguai e fugido
daquele inferno, teria se refugiado naquelas tocas. |
Gruta
do Monge - Segundo a tradição oral, um
homem trajado com roupas escuras e rudes, abrigara-se em
uma gruta existente na Ilha do Arvoredo, onde teria vivido
por longo tempo, desaparecendo sem deixar vestígio.
Acreditava-se ser um monge, que podia ser um santo ou mesmo
um bruxo. A gruta ainda existe e em função
da lenda recebeu o nome de Gruta do Monge. |
Duas
Irmãs - São duas pedras de grande semelhança,
localizadas na Praia da Sepultura. Acredita-se que foram
usadas como pontos de referência astronômica
ou marítima pelos indígenas que por ali viveram. |
Piratas,
Naufrágios e Tesouros - Inúmeros devem
ter sido os piratas e corsários que passaram por
estas águas calmas e protegidas, a procura de abrigos
naturais, mas são poucos os registros oficiais. Um
desses fatos remonta a 1591, quando o sanguinário
Thomas Cavendish de origem inglesa, esteve por aqui de passagem,
após saquear a cidade de Santos. Outro episódio
data da década de 1850, quando houvera grande movimentação
de navios piratas, corsários e negreiros na região.
Já os naufrágios não foram raros, com
algumas embarcações de grande porte, tais
como o patacho português Flor do Porto (1885 - entre
a Ilha do Arvoredo e a Ilha do Macuco); o vapor brasileiro
Orion (1912 - Ilha do Macuco); o navio de passageiros O
Rio (1926 - Ilha do Macuco) e o cargueiro Lili (1957 - Ilha
das Galés). Este último, com importante acervo
histórico, recuperado e exposto no Museu e Aquário
Marinho do CEMAR em Bombinhas.
Todo esse passado motivou a população local
a contar estórias e lendas sobre tesouros, como o
caso do navio espanhol, que no início do século
XIX realizou um desembarque e sepultamento na Praia do Cantinho,
em Zimbros (Praia da Sepultura). Tempos depois teria retornado
para buscar o caixão, que segundo contam, ao invés
de conter um cadáver, estava repleto de moedas de
ouro e prata e de pedras preciosas. |
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